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"Fundada em 8 de abril de 1926, a Academia Carioca de Letras, constituída como associação de cultura literária do Estado do Rio de Janeiro, está sediada na cidade do mesmo nome, e tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional. Compõe-se de 40 membros titulares ou efetivos e adota os mesmos critérios tradicionais das demais academias brasileiras."




LANÇAMENTO







Cadeira 22 CLÁUDIO MURILO LEAL
Patrono: Ferreira de Araújo
Fundador: Leôncio Correia

“Ao comemorarmos o nonagésimo quinto aniversário da fundação da nossa Academia Carioca de Letras, gostaria de lembrar os versos de uma poetisa e de um poeta que enriqueceram o nosso patrimônio cultural: Stella Leonardos e Leôncio Correia.
Stella, lírica, inspirada, nossa inesquecível Presidente. Leôncio Correia, meu avô, fundador da ACL em 1926.
Stella Leonardos escreveu: “Amanhecência.”

Algo peço, ou me pertence?
Confesso que a tudo pertenço
— às águas, árvores, astros
e acima de tudo ao canto das aves,
das cantigas que amanhecem.
Vai, meu coração de pássaro,
quem sabe se alando acordes
e cantos de amanhecência
ouçamos cantos novos?

Pedi emprestado um poema de Almeida Garrett para homenagear Stella Leonardos.
Título: Barca bela / Iluminada Stella

Pescadora da barca bela,
onde vais pescar com ela?
Stella, oh, Stella.

Não vês que a última estrela
no céu da noite se vela?
Recolhe a branca vela,
Stella, Stella.

Deita o remo com cautela,
que a sereia canta
o melífluo som que encanta.
Stella, Stella.

Não te enredes na rede dela,
que perdido é o leme e a vela
na violenta procela,
Stella. Oh, Stella.

Pescadora da barca bela,
espera o sol, a água serena,
e para sempre... e para sempre,
siga a branca falena.

Oh, Stella. Oh, Stella.

Leôncio Correia, cego no fim de sua vida, ditou-me cada verso, cada rima e metro deste soneto:

CANTO DO CISNE

Cego, completa escuridão... Tateio
Sem um velho cajado a que me arrime,
Expiação, talvez, de um grande crime,
Mas onde, quando e como pratiquei-o?

Das aves ouço o matinal gorjeio...
Invejo-as, e essa nobre inveja exprime
Uma resolução firme e sublime
De encarar a hora extrema sem receio.

Ao Pai celestial minh’alma entrego,
Às margens quase da outra vida, cego,
Mas abrasado de infinito amor,

Pelo bom Deus, que me concede ainda,
Quando minha missão na terra finda,
Esta bendita luz interior.

Cinquenta anos depois, escrevi este soneto em homenagem ao meu avô-poeta que me recitou versos de Gonçalves Dias e Olavo Bilac. Era 1947.

Cego, completa escuridão. Tateias
pelos negros labirintos da noite.
Aranhas tecem em teus olhos teias
com seus finos fios de treva. Foi-te

a íris perdendo a luz como candeias
apagadas pelo vento em frio açoite.
A tênue claridade das luas cheias
reverbera nos espelhos de aço e te

reflete luminoso na hierática imagem
de teu rosto austero que indaga
da outra vida a espiritual linguagem.

Mas toda a luz antiga que se finda
escurece a diritta via desta viagem
que antecede uma nova vida... infinda.

Desejo às nossas confreiras e aos nossos confrades poesia e paz para enfrentarmos, todos juntos, os difíceis momentos atuais.
Cordialmente, Cláudio Murilo Leal
Presidente



























ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS
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